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Brasil NOW | A vantagem competitiva já não está em adotar tecnologia, mas em governá-la

Líderes da Dynatrace, Vitta, Elo, Bunge e CPQD defenderam que inteligência artificial, cloud e cibersegurança devem fazer parte da estratégia dos conselhos de administração e se tornar pilares da resiliência empresarial.

24/6/2026
Panel 2 brasil now
Carmen Pizano
Carmen Pizano

A transformação digital já não depende apenas da adoção de novas tecnologias, mas da capacidade das organizações de tomar decisões estratégicas para construir operações mais seguras, resilientes e preparadas para um ambiente cada vez mais complexo. Essa foi a principal mensagem do painel "Cloud e Segurança: as decisões que definem o próximo ciclo tecnológico", realizado durante o Brasil NOW, encontro promovido pela SIMALCO que reuniu líderes empresariais para discutir o futuro da inteligência artificial, da computação em nuvem e da segurança digital.

O painel foi moderado por Jose Antunes, Líder de Segurança de Aplicações da Dynatrace, que abriu a conversa destacando que a migração para a nuvem deixou de ser uma decisão sobre se as empresas devem adotá-la e passou a ser uma questão de como fazê-lo. Segundo ele, as escolhas de arquitetura, infraestrutura e segurança realizadas hoje definirão a capacidade competitiva das organizações nos próximos anos, tornando essencial equilibrar velocidade de inovação com solidez operacional.

O debate reuniu Roberto Gaziola Jr., CTO da Vitta; Victor Hugo dos Anjos, da Elo; Gustavo Lima, do CPQD; e Massamitsu Alberto Iko, da Bunge, que convergiram na ideia de que a governança será o principal diferencial competitivo do próximo ciclo tecnológico.

Uma das mensagens mais enfáticas veio de Massamitsu Alberto Iko, que defendeu que inteligência artificial, cloud e inovação tecnológica precisam deixar de ser temas exclusivos das áreas de TI para ocupar espaço permanente nas agendas dos conselhos de administração.

"A inovação tecnológica, a inteligência artificial e o cloud precisam estar na pauta dos conselhos de administração. Assim como temos especialistas em finanças, também precisamos de especialistas em tecnologia e transformação digital."

Para o executivo da Bunge, essas discussões devem fazer parte de todas as reuniões dos conselhos, pois delas dependerá a competitividade futura das empresas.

Sob a perspectiva da gestão de riscos, Roberto Gaziola Jr. destacou que não existe prevenção absoluta e que os investimentos em segurança devem ser direcionados de acordo com o impacto potencial sobre o negócio.

"Não existe bala de prata quando falamos de prevenção. O importante é avaliar o risco e o impacto desse risco para decidir onde investir mais em prevenção e onde o impacto será menor."

O CTO da Vitta acrescentou que a expansão da inteligência artificial torna indispensável fortalecer a governança.

"Já cometemos muitos erros em outras implementações tecnológicas. Agora, a conversa precisa começar pela governança."

Representando a Elo, Victor Hugo dos Anjos explicou que a prevenção começa antes mesmo de qualquer incidente acontecer. Com monitoramento e análise de dados em tempo real, é possível antecipar comportamentos, preparar a infraestrutura e reduzir atritos para clientes e parceiros.

"A intenção é nos anteciparmos para que as regiões estejam preparadas antes que os problemas aconteçam. A tecnologia deve tornar as operações mais simples e com menos atritos."

Ele também defendeu uma atuação integrada entre as diferentes áreas da empresa.

"Não podemos esperar que as áreas de risco e segurança tragam todas as respostas. Precisamos incorporar esse comportamento em toda a organização. O mundo é complexo e exige uma visão integrada."

Já Gustavo Lima, do CPQD, afirmou que a discussão sobre inteligência artificial precisa ir além da tecnologia e considerar cultura organizacional, ética e o cenário geopolítico.

"A resposta diante de uma crise depende da cultura de cada empresa e da forma como ela compreende o risco em relação aos seus clientes."

O executivo alertou ainda para a importância de fortalecer as cadeias de fornecimento de tecnologias estratégicas.

"Vivemos um momento sensível. Precisamos começar a pensar em toda a cadeia de fornecimento de soluções de segurança e inteligência artificial, porque, de uma hora para outra, um diferencial tecnológico pode deixar de estar disponível."

Ao longo do painel, ficou evidente que inteligência artificial, computação em nuvem e cibersegurança deixaram de ser temas restritos às áreas de tecnologia. Seu impacto sobre a continuidade dos negócios, a competitividade e o crescimento exige que essas decisões façam parte da estratégia corporativa e da agenda permanente da alta liderança.

O consenso entre os participantes foi claro: no próximo ciclo tecnológico, a diferença entre as organizações líderes e as demais não estará em quem adotar primeiro uma nova tecnologia, mas em quem conseguir governá-la melhor, antecipar riscos e transformar a segurança em um diferencial estratégico para o negócio.