Brasil NOW: especialistas concluem que o sucesso da IA dependerá mais das decisões estratégicas do que da tecnologia
Líderes do PagBank, Itaú Unibanco, Ambev, Bunge, Vitta, Elo, CPQD e Dynatrace destacaram que governança, otimização de custos, cibersegurança e liderança da alta gestão serão determinantes para transformar a inteligência artificial em valor para os negócios.
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A inteligência artificial está transformando a forma como as organizações tomam decisões, operam e competem. No entanto, seu sucesso dependerá menos da adoção de novas ferramentas e mais da capacidade das empresas de definir estratégias claras, fortalecer a governança e alinhar a inovação aos objetivos do negócio.
Essa foi uma das principais conclusões do Brasil NOW: IA, Cloud e Transformação Digital no Próximo Ciclo, encontro promovido pela SIMALCO em São Paulo, que reuniu líderes dos setores financeiro, tecnologia, consumo, saúde e infraestrutura para compartilhar experiências sobre os desafios da transformação digital na América Latina.
O evento foi aberto por Silvana Maldonado, CEO da SIMALCO, que destacou que, mesmo em uma era marcada pela rápida evolução tecnológica, os encontros presenciais continuam sendo fundamentais para construir relacionamentos, compartilhar conhecimento e criar novas oportunidades de colaboração.
"Por trás de cada avanço tecnológico existem pessoas que tomam decisões, lideram equipes e constroem o futuro de suas organizações", destacou na abertura.
Governança, o grande desafio da inteligência artificial
O primeiro painel, "IA e Decisões em Tempo Real", foi moderado por Valter Wolf, Diretor de Projetos e Parcerias em Tecnologia da Brasscom, e contou com a participação de Cíntia Guberovic, Superintendente de Planejamento e Performance Estratégica do PagBank; Bruno Gobbet Gianini, Head de Data Analytics & IA do Itaú Unibanco; e Thiago Barreto, Head de Innovation, Product & Design da Ambev.
Um dos principais temas da discussão foi a necessidade de fortalecer a governança em torno da inteligência artificial. Valter Wolf ressaltou que o maior desafio não é apenas adotar novas ferramentas, mas definir onde elas realmente geram valor e quais regras devem orientar sua utilização.
Como exemplo, citou o fenômeno conhecido como Shadow AI, no qual colaboradores utilizam plataformas não homologadas, mesmo quando a empresa já disponibiliza soluções corporativas.
"A governança não deve ser vista como burocracia. Ela existe para organizar a casa; caso contrário, tudo vira um caos", afirmou.
Na mesma linha, Cíntia Guberovic observou que muitas empresas estão adotando inteligência artificial porque o tema está em evidência, e não porque tenham uma estratégia bem definida. Segundo ela, antes de criar agentes ou implementar novas soluções, é fundamental identificar com clareza qual problema de negócio precisa ser resolvido, evitando o uso de tecnologias complexas para desafios que poderiam ser solucionados de forma muito mais simples.
Otimizar a IA também significa otimizar custos
Outro tema central do painel foi a eficiência econômica dos projetos de inteligência artificial.
Bruno Gobbet Gianini, Head de Data Analytics & IA do Itaú Unibanco, explicou que a crescente concorrência entre os desenvolvedores de modelos de IA vem reduzindo os custos da tecnologia, mas ressaltou que a economia depende principalmente da arquitetura adotada.
O executivo compartilhou que uma iniciativa de IA no banco começou com custos três vezes superiores ao previsto. Após a implementação de uma plataforma multiagente e da otimização da arquitetura da solução, foi possível reduzir esses custos em mais de 90%.
Para Gobbet, experimentar é essencial, mas os melhores resultados surgem quando a adoção da IA é acompanhada por disciplina técnica, automação e um processo contínuo de otimização.
Cloud e cibersegurança chegam ao conselho de administração
O segundo painel, "Cloud e Segurança: as decisões que definem o próximo ciclo tecnológico", foi moderado por Jose Antunes, Líder de Segurança de Aplicações da Dynatrace, e reuniu Roberto Gaziola Jr. (Vitta), Victor Hugo dos Anjos (Elo), Gustavo Lima (CPQD) e Massamitsu Alberto Iko (Bunge).
Os participantes destacaram que cloud e cibersegurança deixaram de ser apenas temas técnicos para se tornarem decisões estratégicas capazes de impactar diretamente a competitividade e a continuidade dos negócios.
Nesse contexto, Massamitsu Alberto Iko defendeu que inteligência artificial, cloud e transformação digital passem a integrar permanentemente a pauta dos conselhos de administração.
Segundo ele, muitas empresas ainda restringem essas discussões às áreas técnicas, quando elas deveriam fazer parte da agenda do mais alto nível de governança corporativa. Para isso, sugeriu que os conselhos contem também com especialistas em tecnologia e transformação digital, assim como já possuem especialistas em finanças e auditoria.
Dynatrace impulsionou o debate sobre o futuro digital
O Brasil NOW contou com o patrocínio da Dynatrace, empresa especializada em observabilidade inteligente e automação baseada em inteligência artificial. Sua participação reforçou a importância de plataformas capazes de oferecer monitoramento em tempo real, maior resiliência operacional e visibilidade completa sobre ambientes tecnológicos cada vez mais complexos.
Estratégia será o verdadeiro diferencial
Embora cada painel tenha abordado desafios distintos — da governança da IA à arquitetura em cloud e à cibersegurança —, a mensagem foi convergente: o próximo ciclo da transformação digital não será definido apenas pela velocidade de adoção das novas tecnologias, mas principalmente pela qualidade das decisões estratégicas que orientarão sua implementação.
Objetivos de negócio bem definidos, governança sólida, otimização de custos, gestão de riscos e o envolvimento da alta liderança surgiram como os principais fatores para transformar a inteligência artificial em uma vantagem competitiva sustentável.
Com o Brasil NOW, a SIMALCO reforça seu compromisso de promover encontros que conectam líderes empresariais da América Latina para compartilhar conhecimento, fortalecer parcerias e impulsionar as discussões que definirão o futuro da transformação digital na região.

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