Semicondutores e informática pressionam a produção eletrônica do Brasil
O segmento eletrônico recuou 5,1% no primeiro semestre de 2026, enquanto o Brasil registrou forte aumento nas importações de componentes tecnológicos, com alta de 36% em semicondutores.

A indústria elétrica e eletrônica brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com queda de 2,4% na produção física em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
A retração ficou concentrada no segmento eletrônico, cuja produção caiu 5,1% entre janeiro e junho, enquanto a área elétrica apresentou variação negativa de apenas 0,1%.
Dentro do segmento eletrônico, o desempenho foi pressionado principalmente pela fabricação de componentes eletrônicos e equipamentos de informática, em um momento em que o Brasil busca ampliar sua capacidade industrial em atividades estratégicas ligadas à digitalização e ao desenvolvimento tecnológico.
Os dados de comércio exterior mostram, além disso, um crescimento das compras internacionais. Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil importou US$ 16,75 bilhões em produtos elétricos e eletrônicos, 2% a mais do que no mesmo período de 2025. Desse total, US$ 8,64 bilhões corresponderam a componentes elétricos e eletrônicos, com aumento de 5,4% na comparação anual.
Importações de semicondutores crescem 36%
Um dos maiores aumentos foi registrado justamente nos semicondutores. As importações brasileiras desses componentes alcançaram US$ 2,66 bilhões entre janeiro e abril, ante US$ 1,95 bilhão no mesmo período de 2025, representando crescimento de 36%.
Também avançaram as compras externas relacionadas à informática. As importações de máquinas para processamento de dados cresceram 24%, chegando a US$ 608 milhões, enquanto as de componentes para informática atingiram US$ 1,18 bilhão, 2% acima do registrado um ano antes.
A tendência continuou ao longo do ano. Até maio, as importações de produtos de informática somaram US$ 1,39 bilhão, alta de 23% na comparação anual. No mesmo período, as importações totais de produtos elétricos e eletrônicos chegaram a US$ 21,13 bilhões, 4% acima dos primeiros cinco meses de 2025.
Esse comportamento evidencia um dos principais desafios da indústria brasileira: fortalecer a produção local de componentes e equipamentos tecnológicos diante da elevada dependência das cadeias internacionais de fornecimento.
Semicondutores, uma indústria estratégica para o Brasil
O desenvolvimento de uma indústria nacional de semicondutores ganhou maior relevância para o Brasil diante do crescimento de setores como inteligência artificial, data centers, telecomunicações, automação industrial, eletromobilidade e energias renováveis.
Em junho, a Abinee recebeu uma delegação da China Semiconductor Industry Association (CSIA) para discutir oportunidades de cooperação e desenvolvimento da indústria. Entre os temas abordados esteve o crescimento da demanda por semicondutores para novas aplicações, incluindo inteligência artificial.
Para o Brasil, ampliar sua participação nessa cadeia envolve não apenas aumentar a fabricação local, mas também atrair investimentos e fortalecer as capacidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação em componentes de maior valor agregado.
Resultado contrasta com as expectativas para 2026
A queda registrada no primeiro semestre contrasta com as expectativas da indústria no início de 2026.
O setor elétrico e eletrônico brasileiro encerrou 2025 com faturamento próximo de R$ 272 bilhões e crescimento real de 4%. Para este ano, a Abinee havia projetado aumento de 2% na produção física e faturamento próximo de R$ 289 bilhões.
As expectativas empresariais também apontavam para um ano de expansão: 72% das empresas consultadas pela Abinee esperavam aumentar suas vendas e pedidos, o mesmo percentual pretendia realizar investimentos e 67% planejavam novas contratações.
No entanto, a retração da produção eletrônica durante a primeira metade do ano aumenta a pressão sobre essas projeções, especialmente nos segmentos tecnológicos de maior valor agregado.
O desempenho dos próximos meses será determinante para saber se a indústria conseguirá reverter a queda e se aproximar das projeções de crescimento para 2026, em um momento em que o Brasil busca fortalecer sua posição em cadeias tecnológicas estratégicas e reduzir sua dependência de componentes importados.

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