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Diego Rasilla, da Quartux: “O foco já não é apenas quanto custa a eletricidade, mas como administrá-la”

A Quartux afirma estar por trás de oito em cada dez baterias instaladas em seu segmento no México. Diego Rasilla, diretor de Government Affairs da companhia, explica por que as novas regras para o armazenamento abrem uma nova etapa para a indústria e como economia, flexibilidade e confiabilidade estão transformando as baterias em uma decisão de negócio.

2/9/2026
Diego asillas Quartux
Carmen Pizano
Carmen Pizano

O armazenamento de energia está entrando em uma nova etapa no México, e a Quartux busca capitalizar esse momento a partir de uma posição relevante no mercado: de acordo com a companhia, oito em cada dez baterias instaladas em seu segmento no país foram implementadas pela Quartux, que também é responsável por sua operação e manutenção.

A empresa mexicana conta com mais de 100 sistemas em operação e, ao longo de seus sete anos de atividade, desenvolveu um modelo voltado principalmente para grandes consumidores de energia: a Quartux financia, adquire, instala, opera e mantém os sistemas de armazenamento, enquanto o cliente obtém os benefícios sem precisar realizar o investimento inicial nas baterias.

“Se o cliente é do setor automotivo, que se dedique à indústria automotiva. Nossa missão é instalar uma bateria para ele; dessa forma, gera economia e não precisa desembolsar dinheiro”, explicou Rasilla, em entrevista à SIMALCO.

Agora, a companhia identifica um novo elemento capaz de acelerar esse mercado: o armazenamento já está contemplado de maneira mais clara na regulação elétrica mexicana.

“Hoje já existem regras, a figura do armazenamento já é reconhecida e, com isso, é possível fazer muita coisa”, afirmou Rasilla.

Para o executivo, esse avanço coincide com outra mudança que a Quartux tem observado entre seus clientes: as empresas já não perguntam apenas quanto custa a eletricidade, mas como administrá-la para reduzir custos e garantir suas operações.

De quanto custa a energia para quando utilizá-la

“Há sete anos, quando começamos, todos falavam sobre quanto custava a energia. Hoje, todos falam sobre quando utilizar essa energia”, explicou Rasilla.

A mudança pode parecer pequena, mas tem consequências diretas sobre os custos operacionais. O armazenamento permite guardar eletricidade e utilizá-la posteriormente, por exemplo, para gerenciar períodos de maior demanda, dar suporte às operações diante de interrupções ou administrar de forma mais eficiente a energia gerada por instalações solares.

Para Rasilla, o conceito que resume essa nova lógica é a flexibilidade. “O que é flexibilidade? É você decidir quando e como utilizar a energia”, afirmou.

A Quartux trabalha com empresas dos setores de manufatura, automotivo, alimentos, plásticos, hotelaria e supermercados, além de projetos relacionados à geração solar e eólica.

Economizar dinheiro continua sendo o principal argumento

Embora o armazenamento esteja ganhando relevância por razões de confiabilidade e disponibilidade de energia elétrica, Rasilla considera que, para as empresas, existe um argumento difícil de superar: a economia.

“O setor privado precisa otimizar seus custos. Para quê? Para melhorar também os custos dos insumos que nós consumimos como clientes finais. Se geramos economia, impactamos positivamente sua cadeia”, afirmou.

A isso se soma o custo que uma interrupção elétrica pode representar para uma operação industrial.

“Muitos não dizem nada, mas são perdidos mais de 200 milhões de pesos por ano devido a apagões ou a alguma interrupção no fornecimento de energia elétrica”, afirmou Rasilla.

Sob essa perspectiva, a decisão de instalar sistemas de armazenamento deixa de estar associada apenas à sustentabilidade ou à transição energética e passa a ser avaliada também com critérios financeiros e operacionais.

A regulação marca um ponto de inflexão

O crescimento do mercado encontra agora um elemento que a Quartux considera fundamental: um marco regulatório mais definido para o armazenamento.

Durante 2026, foram fortalecidas as disposições para a integração dos Sistemas de Armazenamento de Energia Elétrica ao Sistema Elétrico Nacional, estabelecendo modalidades e requisitos específicos para sua participação.

A Quartux considera que seu papel nessa nova etapa será, por um lado, adaptar-se às disposições e, por outro, ajudar indústrias, estabelecimentos comerciais e geradores a compreendê-las e transformá-las em projetos.

“Agora, o desafio é nos adaptarmos e ajudar o setor industrial, o comercial e os geradores a entenderem essas novas regras e apoiá-los a dar o próximo passo”, explicou.

México continuará sendo o principal mercado da Quartux

A companhia também analisa oportunidades fora do país, embora sua prioridade continue sendo o México.

Rasilla afirmou que a Quartux tem capacidade para acompanhar seus clientes em projetos na Guatemala, Honduras, Costa Rica, Panamá e República Dominicana, além de já ter recebido manifestações de interesse para projetos nos Estados Unidos.

No entanto, o tamanho da base manufatureira mexicana e o crescimento da demanda por eletricidade mantêm o país no centro de sua estratégia.

“Agora vem a eletromobilidade, com os carros elétricos. Os data centers já estão basicamente operando no país. Há um grande desafio pela frente; já estamos enfrentando esse desafio de frente, mas ele continua crescendo”, afirmou.

O armazenamento começa, assim, a deixar de ser uma discussão predominantemente tecnológica para se tornar uma decisão de negócio: quanto uma empresa pode economizar, como pode proteger suas operações e quando é mais conveniente utilizar a energia de que necessita.