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17/6/2026

Thiago Barreto, da Ambev, e speaker do Brasil NOW: "Sem um norte claro, você gasta um caminhão de dinheiro fazendo a mesma coisa que todo mundo"

O executivo defende que inovar exige estratégia antes de tecnologia e que a obsessão corporativa com o hype do momento é o principal inimigo da inovação real.
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Renata D’Elia
Renata D’Elia

No dia 24 de junho de 2026, às 13h, no JW Marriott São Paulo, Thiago Barreto, Head de Inovação, Produto e Design da Ambev, participará como speaker do Brasil NOW: IA, Cloud e Transformação Digital no Próximo Ciclo, encontro executivo organizado pela SIMALCO que reunirá líderes tecnológicos e tomadores de decisão para debater os desafios e oportunidades que definirão o futuro digital das organizações brasileiras.

Com uma trajetória construída na intersecção entre inovação, produto e estratégia, Thiago acumulou experiências em empresas de grande escala e complexidade antes de chegar à Ambev. Ao longo desse caminho, chegou a uma conclusão que orienta cada projeto que lidera: inovação não é sobre aparecer na mídia, mas sobre resolver um problema.

O mercado cervejeiro brasileiro vive uma contradição aparente: o país produziu 15 bilhões de litros de cerveja em 2025, o maior volume da história, mas o perfil de quem bebe mudou. Segundo pesquisa da Euromonitor (2025), 56% dos brasileiros que consomem bebidas alcoólicas afirmam estar tentando reduzir o consumo. O consumidor ficou mais seletivo, mais atento à saúde e mais exigente com a experiência. Para as empresas do setor, isso não é necessariamente uma ameaça, mas o tipo de mudança de comportamento que pede inovações hoje, não amanhã.

Iniciativas lideradas por Thiago ilustram essa lógica na prática: novos canais de venda para eventos e praias, modelos de assinatura direta ao consumidor e soluções proprietárias de mídia no ponto de venda com redução de 80% de custo em relação à solução anterior. Projetos distintos, mesma lógica: partir do consumidor real, não do hype.

Porém, chegar a esse ponto exige um passo que muitas organizações evitam: ouvir, de fato, as pessoas. "O mais importante é ir a campo. Não para validar o que já se tem na cabeça, mas para ouvir o que o consumidor tem a dizer. Sem forçar ou direcionar as respostas para o que você quer ouvir. A riqueza do trabalho está no inesperado, naquilo que não estava no radar. Ir com o mesmo pensamento que se tinha na cadeira não é Discovery. É confirmação", afirma. Para ele, os dados entram nesse processo como ponto de partida, não de chegada. Eles orientam com quem conversar e o que precisa ser respondido  e quantificam onde um problema começa a aparecer antes mesmo de virar reclamação explícita. 

Para manter velocidade de decisão em ambientes instáveis, Thiago trabalha com uma regra pessoal: zero reais para começar. Recursos abundantes logo no início levam ao burn sem propósito. A lógica é outra: validar o problema no campo, checar se ele move os ponteiros estratégicos da empresa e, só então, estruturar uma POC pequena, de um a três meses, com o mínimo de investimento necessário para testar a hipótese de solução. Quando o resultado justifica, o projeto ganha escala. Quando não, o aprendizado foi barato.

Essa mesma disciplina se aplica à gestão do tempo do time. O executivo defende uma divisão próxima de 80/20: a maior parte dedicada ao que já está priorizado e uma janela reservada para oportunidades que surgem no caminho. "Se você nunca abre mão de nada do que foi planejado, talvez a priorização original estivesse errada", pondera. A pandemia, para ele, é o exemplo mais radical dessa lógica: empresas que sobreviveram foram as que souberam congelar o que precisava ser congelado, repensar rápido e testar em pequeno.

Olhando para os próximos anos, Thiago faz um alerta que considera mais urgente do que qualquer aposta tecnológica: o capital humano está sendo esquecido. Na corrida para adotar IA e não ficar para trás, as empresas estão produzindo soluções cada vez mais parecidas entre si e perdendo de vista a pergunta fundamental. "As empresas precisam saber responder, sem IA, sem nenhum artefato tecnológico: como eu faço para ser relevante para o meu público?", conclui.

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