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10/6/2026
Roberto Gaziola Jr., Vitta e palestrante do Brasil NOW: "O paciente não quer ser atendido por um bot, ele quer alguém olhando para ele"
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No próximo 24 de junho de 2026, às 13h, no JW Marriott São Paulo, Roberto Gaziola Jr., CTO da Vitta, participará como palestrante do Brasil NOW: IA, Cloud e Transformação Digital no Próximo Ciclo, encontro executivo promovido pela SIMALCO que reunirá líderes de tecnologia e tomadores de decisão para discutir os desafios e as oportunidades que definirão o futuro digital das organizações brasileiras.
Com cerca de dez anos de experiência no mercado de saúde digital, Gaziola chegou a uma conclusão que orienta cada decisão tecnológica que toma: na saúde, a tecnologia só faz sentido se ampliar o cuidado humano. Como CTO da Vitta, healthtech que nasceu como software house e hoje opera uma plataforma proprietária de telemedicina e cuidado coordenado, ele lidera iniciativas que vão desde infraestrutura e governança de dados até a adoção responsável de inteligência artificial generativa no atendimento médico.
"A saúde talvez seja o único mercado em que o cliente não quer ser atendido por um bot. A gente reclama quando o médico não olha para a nossa cara numa consulta. Então, o grande desafio é: como embarcar a tecnologia para ter uma experiência o mais humana possível?", explica.
Em entrevista à SIMALCO, ele comentou sobre a tensão que define o setor. Diferentemente do mercado financeiro, onde a digitalização plena é uma demanda do próprio usuário, a saúde digital precisa resolver uma equação distinta: quanto mais tecnologia, mais ela precisa ser invisível. A infraestrutura deve ser resiliente o suficiente para não aparecer, mantendo o protagonismo do médico e da equipe de cuidado.
Segundo levantamento da Saúde Digital Brasil em parceria com o Datalab da Serasa Experian, entre 2020 e 2025, a telessaúde no Brasil somou mais de 7,98 milhões de atendimentos digitais, com taxa de resolutividade de 72,96%, sendo a maior parte das demandas resolvida sem encaminhamento presencial. Os números mostram que a confiança no canal digital já é uma realidade, mas também evidenciam que a experiência do paciente precisa ser impecável para sustentar essa confiança.
Nesse contexto, Roberto trata a gestão de custos de cloud como um processo contínuo. "Não se trata de um projeto de economia de cloud. Isso é o nosso dia a dia", afirma. A pressão por sustentabilidade financeira é uma realidade estrutural do setor de saúde suplementar no Brasil e, na sua visão, a tecnologia é uma das principais alavancas para enfrentar esse desafio sem comprometer a qualidade do serviço.
Essa disciplina já trouxe resultados concretos: a Vitta registrou uma redução de 30% nos custos de cloud e de 10% nos custos com softwares em relação ao orçado. Além disso, a nota do aplicativo da empresa subiu de 3,7 para 4,8 nas lojas digitais, refletindo diretamente o investimento na experiência do usuário.
No campo da inteligência artificial generativa, ele observa o mercado com um ceticismo equilibrado. Na sua avaliação, houve uma inversão de papéis: se antes eram os CTOs que precisavam convencer o negócio a adotar novas tecnologias, hoje são as áreas de negócio que pressionam a tecnologia a avançar mais rapidamente do que seria prudente.
"Vejo companhias reduzindo pessoas e apostando em IA esperando resultado imediato, mas já vemos empresas voltando atrás e recontratando, porque o cálculo não fechou", afirma.
Para ele, a tendência é irreversível, mas o ritmo de implementação deve ser guiado pela cultura organizacional, e não pela ferramenta.
"Nenhuma decisão assistencial, neste momento, pode ser tomada sem supervisão humana", reforça. Na sua visão, as aplicações mais promissoras são aquelas em que a IA amplia a capacidade do médico sem substituí-lo, resumindo prontuários, transcrevendo consultas e sugerindo registros para que o profissional possa devolver esse tempo ao que nenhuma tecnologia substitui: o contato humano e o olhar atento ao paciente.
Olhando para o futuro, tendo 2030 como horizonte, Roberto aposta em uma palavra-chave: integração. À medida que a saúde brasileira avança — ainda que lentamente — na conexão entre sistemas, dados e jornadas do paciente, ele acredita que uma regulação mais robusta, semelhante ao que o Open Finance promoveu no mercado financeiro, será determinante para transformar esse cenário.
A perspectiva é de um cuidado contínuo e preventivo, em que dispositivos conectados, assistentes virtuais e históricos médicos integrados permitam antecipar necessidades antes mesmo que o paciente perceba que há um problema.
"Imagine acordar pela manhã e receber uma mensagem: percebi que seus batimentos durante a noite foram irregulares, seu sono profundo foi menor do que o habitual e isso já acontece há alguns dias. Sugiro uma consulta hoje às 15h; já verifiquei sua agenda e conectei você ao seu médico", exemplifica.
Trata-se de uma tecnologia que já existe, mas que o setor ainda utiliza pouco, mesmo em uma jornada tão longa quanto a nossa própria vida.
"Quando começa o nosso cuidado em saúde? Alguns dizem que quando você nasce. Eu acredito muito nisso", conclui.

