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1/7/2026
Gustavo Lima, CPQD: "Sem ética na IA, estaremos em sérios riscos"
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A inteligência artificial só se tornará uma vantagem competitiva se seu desenvolvimento estiver fundamentado em princípios éticos e em uma estratégia clara de soberania tecnológica, afirmou Gustavo Lima, Diretor de Tecnologia e Inovação do CPQD, durante sua participação no Brasil NOW, realizado em 24 de junho, no JW Marriott São Paulo. O executivo compartilhou essa visão no painel "Cloud e Segurança: as decisões que definem o próximo ciclo tecnológico" e aprofundou o tema em uma entrevista exclusiva ao Meet the C-Suite.
"Não há como não discutir a questão geopolítica mundial", afirmou, citando a decisão da França de não certificar mais equipamentos de uso crítico que não contem com criptografia pós-quântica como um sinal claro de que o tabuleiro está mudando. Ele também mencionou o relatório da Citrini Research, publicado em fevereiro de 2026, que desenhou o pior cenário possível para a humanidade em razão da IA, e que fez a Nasdaq cair no dia seguinte à sua publicação.
"Eu diria que, enquanto o ser humano não trabalhar com a IA preocupando-se com ética, estaremos em sérios riscos. Pensando em negócios e pensando no país, estamos em um momento sensível no qual precisamos pensar na cadeia de fornecimento", afirma. Ele se referiu ao episódio de junho deste ano, quando o governo americano determinou o bloqueio global de acesso ao Claude Fable 5 e ao Claude Mythos 5, modelos mais avançados da Anthropic, por meio de uma diretiva de controle de exportação do Departamento de Comércio dos EUA. A medida atingiu usuários de todo o mundo e foi justificada por preocupações de segurança nacional. "Vimos que, de uma hora para a outra, um grande diferencial de negócio foi negado ao resto do mundo", disse.
Além das questões éticas, segundo ele, implementar a inteligência artificial de modo massivo no Brasil exige antes de tudo um ponto de partida claro: não a tecnologia em si, mas a dor de mercado que ela resolve. "Acho que o momento é de reflexão sobre onde, de fato, essa inteligência artificial está trazendo valor agregado, porque ainda estamos numa jornada. Ainda estamos na fase do discovery, do que está funcionando e do que não está funcionando." Para Gustavo, é fundamental que as empresas tenham clareza sobre onde querem chegar e comparem esse objetivo com o investimento necessário, incluindo a chamada "economia da tokenização" e o custo de manter agentes de IA automatizando processos, além do ganho de produtividade.
O executivo também chamou atenção para um ponto sensível da adoção de IA no Brasil: a maioria dos modelos usados no país vem de fora. "Eles não foram treinados com a nossa cultura, muitos não foram treinados na nossa língua, e isso traz uma influência dentro da resposta dos algoritmos", disse. Cibersegurança e ética também são as duas grandes preocupações que toda organização precisa ter, especialmente as que lidam diretamente com clientes na ponta, onde qualquer viés de desenvolvimento tem impacto direto.
Apesar disso, ele não vê problema do Brasil seguir o movimento global de adoção de IA. Sua ressalva é sobre o momento atual de "frenesi do investimento pelo investimento". Na sua percepção, mais de 90% dos CEOs não estão vendo os resultados esperados da inteligência artificial aplicada em seus negócios. Ainda assim, ele é categórico sobre o custo de não agir. Os inovadores que largarem na frente colherão os louros de terem sido os primeiros a aplicar a tecnologia, enquanto o resto seguirá copiando.

